A MINHA PERDA...

domingo, dezembro 17, 2017

Hoje trago um assunto mais delicado, senti necessidade de partilhar convosco a forma como me sinto. 
Esta terça-feira, dia 12 de Dezembro, o meu avô materno faleceu, já estava algum tempo em mau estado no hospital derivado a uma queda que deu em casa, no qual levou a um traumatismo craniano e naquela idade (83 anos) é muito mais delicado do que se fosse eu a cair por exemplo. A queda afectou completamente a sua cabeça, dizia coisas sem sentido, confundia as pessoas, chegava até a não se lembrar de as quantas vezes que íamos vê-lo ao hospital, estava muito em baixo. E para "ajudar"... cada dia foi piorando e os problemas foram aparecendo e aumentando, deixou de se conseguir alimentar, tiveram que lhe colocar uma sonda e até ao fim da sua vida teria que ser alimentado através de papas pela sonda. Eu senti que isto abalou imenso porque o meu avô gostava tanto de comer bolinhos e até comia bem, comia muito mais que eu uma refeição, senti que naquele momento umas das forças que ele tinha acabou por cair. E foi a partir daquele dia que as coisas começaram a complicar, quando eu e a minha mãe íamos ao hospital para o visitar ele não reagia, não falava, só rezava e pedia a Deus que o levasse... Naqueles pequenos momentos várias vezes as lágrimas vinham-me aos olhos, porque eu sentia que ele não queria levar aquela vida, a vida que ele tinha era muito activa, todos os dias comia fora de casa, apenas só ia a casa para dormir, durante o dia estava no centro de dia e depois à tarde andava a passear e era assim o seu quotidiano e eu nem sequer consigo imaginar o quão seria difícil para ele nunca mais levar aquela vida... Acho que Deus fez o que está certo, eu não conseguia ver o meu avô fechado em um lar e abdicar de todos os seus passatempos e do que realmente o fazia feliz, não conseguia mesmo. Ao longo dos anos deixamos de ser tão próximos um do outro derivado a alguns problemas familiares e também a feitios, mas não foi por os anos passarem que eu me esqueci do quão bom avô foi e do grande carinho que teve sempre por mim e pela minha mãe.
A vida é assim mesmo e dá imensas voltas, nunca tinha perdido nenhum familiar meu e agora que consigo sentir a dor de ter perdido, só nos dá vontade de voltar atrás no tempo e fazer as coisas diferentes, aproveitar melhor os dias e minutos junto da pessoa.



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8 comentários

  1. Infelizmente, sei bem o que isso é. Perdi o meu avô materno 2 meses antes de fazer 14 anos. Ele era o meu segundo pai, passava mais tempo com os meus avós durante a semana do que com os meus pais. Ele era incrível, como avô, como pessoa... ensinou-me tanto e hoje arrependo-me de não ter prestado mais atenção aos conselhos sábios dele e dava tudo para voltar a ouvir a sua voz a contar-me histórias sobre Portugal de antigamente. Era um contador de histórias e tenho tantas saudades dele. Já lá vão quase 11 anos e todos os dias sinto a sua falta. Dizem que o tempo cura tudo mas não cura, só atenua a dor de vez em quando.
    Beijinhos e força. Com o tempo, deixa de doer tanto, mas vai continuar a doer, silenciosamente, para sempre.

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    1. Obrigada pelas tuas palavras, imagino o quanto te deve ter doido sendo um avô muito próximo, mais uma vez obrigada pelas palavras de coragem, beijinhos

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  2. Perder um avô e uma dor grande. Eu já perdi as 2 avós e isso e coisa que não passa. E bom lembrar os bons tempos, dá uma saudade imensa, mas ao menos sabemos que tivemos óptimas coisas com aquelas pessoas. E momentos bons. Ninguém apaga.

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  3. Muito emocionante. Desejo que tenhas muita força para enfrentar isso, e tu vais conseguir superar. Lembra-te, as memórias são a melhor coisa que podes ter do teu avô.

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  4. Infelizmente, sei muito bem o que é perder uma pessoa, como sabes eu perdi o um dos meus irmãos mais velhos a cerca de 2 anos e 9 meses, assassinado brutalmente em casa do suposto "amigo", foi muito repentino, não tive tempo para me despedir dele o pior é que estava chateada com ele.
    Ele era o meu protetor ninguém me tocava ou se metia comigo quando foi para a mesma escola que ele. Não fiz o meu luto para ajudar os meus pais e os meus irmãos e passado 3/4 meses "cai" num esgotamento. Desde então não festejo o dia da morte dele, mas sim os dias que ele mais gostava de festejar, e festejo a maneira dele, bebida e fumo. Faz me sentir "mais próxima" dele, é uma homenagem que lhe faço, à minha maneira. É difícil porque a dor não passa, não dói no momento, começa a magoar mais com o passar do tempo quando começas a sentir a falta dele, do sorriso, das gargalhadas, das discussões, das brincadeiras, dos beijinhos, dos abraços, da presença em si. Com o tempo não sabes se tens fé, se acreditas na justiça divina em Deus, eu deixei, mas depois comecei a ver as coisas de outra maneira, a viver um dia de cada vez, a vida só há uma temos que saber viver, aproveitar,curtir,saber estar e vais conseguindo sobreviver com esta dor, com este corte que é para a vida.

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